Pedestre: você não é bem-vindo

Um pedestre que sai do museu Iberê Camargo, na Av. Padre Cacique, em direção as obras do novo viaduto logo se depara com um obstáculo que poderia ser facilmente resolvido.

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É simplesmente impossível seguir pela calçada e a única opção é invadir a pista de rolamento, onde trafegam veículos em alta velocidade, afinal isso é uma estrada.

Seguindo a caminhada, ao chegar no futuro viaduto encontra-se este caminho.

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Repare quanta consideração, há um espaço estreito com britas reservado ao pedestre caso ele consiga atravessar o lamaçal logo antes.

A caminhada deste dia terminou ali, mas caso optasse por continuar pela Av. Padre Cacique nada muda. Esta foto foi extraída do Google Maps e a realidade hoje é pior devido as obras.

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Mas o importante é que não foi criado um desconforto ao “já caótico trânsito de Porto Alegre”. Um pedestre pode muito bem caminhar mais 20 minutos ou mais para evitar este caminho, certo?

Errado.

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Ghost Shoes

white-shoesOntem, conversando com gente legal sobre ghost bikes e demais mobilizações do tipo. Surgiu-me a idéia de criarmos também os ghost shoes em memória aos pedestres que morreram no trânsito de Porto Alegre. Para cada pedestre assassinado por motoristas imprudentes — e por uma engenharia de trânsito digna de Fórmula Indy penduraríamos um par de sapatos velhos pintados de branco nas grades da fonte Talavera, em frente ao Paço Municipal — dando assim também uma utilidade para aquela grade ridícula.

Teríamos muito trabalho pela frente. Só de janeiro até aqui, já foram — segundo as estatísticas da EPTC — 44 mortes por atropelamento. Mas receio que essas estatísticas sejam somente de quem morreu no local do atropelamento e não considere quem morreu no hospital.

Por uma questão de justiça social, deveríamos também, é claro, usar apenas calçados que não estivessem mais aptos ao uso.

Quem vigia os vigilantes?

Os usuários de transporte público dos arredores da Av Icaraí já sofrem bastante com a péssima calçada no entorno do Jockey Clube. A faixa de concreto é irregular e estreita, e em dias de chuva inunda facilmente além de faltarem semáforos para travessia segura.

Mas mais um desrespeito ao espaço do pedestre foi flagrado recentemente. Desta vez cometido  por agentes da polícia militar.

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Veja que além de estacionar em local proibido, sequer houve o cuidado em estacionar de maneira paralela ao muro. O pouco espaço reservado aos pedestres foi totalmente ocupado pelo veículo oficial.

Mas o importante é que o fluxo de automóveis não foi prejudicado, certo?

Isso é uma estrada

A orla de Porto Alegre está em estado de abandono há muito tempo e recentemente foi impactada pela duplicação da avenida Edvaldo Pereira Paiva, a Beira-Rio. Até o momento, mesmo com a nova auto-estrada que chega a ter 8 pistas separando o Parque Marinha do Brasil da orla da cidade, faltam equipamentos básicos de segurança para pedestres ou ciclistas.

Alguém pode considerar o termo auto-estrada um exagero, mas vejamos: além do número grande pistas de rolagem, sem qualquer medida de traffic calming, observe o espaçamento das sinaleiras nas duas imagens (clique para ampliar).

Este primeiro trecho inicia na nova rua que foi aberta entre o Gigantinho e a sinaleira em frente ao BarraShopping. De acordo com o Google Maps, a distândia é de aproximadamente 2,5 km.

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Será que seguindo do mesmo ponto inicial mas em direção ao centro a situação é melhor? Pois este traçado começa da mesma rua ao lado do Gigantinho seguindo até a sinaleira instalada na proximidade do velódromo do Parque Marinha. De acordo com a mesma ferramenta, neste sentido temos 1,6km de distância entre os semáforos.

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Tudo isso somado a falta de calçamento adequado.

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Apesar da grande infra estrutura rodoviarista, está sendo criada esta faixa de asfalto, sem sequer cuidado com acabamento, para servir de via compartilhada entre ciclistas e pedestres. Com certeza este modelo aumenta o risco de colisão entre estes dois grupos, considerando que em uma pista destas um ciclista pode ir a 20 km/h com certa facilidade, criando um risco de lesões graves.

Espaço não falta na região, por que poupar tanto em uma região amplamente usada para esportes todos os dias? Com certeza deve ser conveniente para a prefeitura que “acidentes” acontecidos ali dificilmente entrarão nas estatísticas, pois normalmente não são registrados.